27 de abril de 2017

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De todas as faltas que sinto, a sua é a que mais me dói. Avô.

26 de abril de 2017

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Você era tão bonito, avô...

Onde estará, agora, enquanto estou aqui perto de si? De que lugar do céu estará a olhar para mim? Tomara que eu soubesse. Olhá-lo-ia nos olhos. Estou desolada. Que ausência é esta que decidiu fazer-nos sentir? É demasiado doloroso. Não lhe sei virar as costas. Imagino como estará agora. Frágil. Mais do que nós aqui na terra? Não sei se acredito. Aqui é demasiado custoso. Duro. Quanto mais tempo teremos que aguentar? 

17 de abril de 2017

Uma Páscoa mais vazia...

16 de abril de 2017 (Dia de Páscoa)

18h00

Pairam agora sobre a mesa de Páscoa meia dúzia de rosas brancas. Elas representam o vazio que se apoderou de nós ao longo dos dias que passámos a preparar esta época festiva. Como me lembro de si agora, avô. Como me lembro do quanto gostava do dia de hoje. Sempre me pedia para o levar aqui e ali. Enquanto as pernas o deixaram seguiu a compasso pascal com devoção. Sempre com devoção. A avó tem repetido o dia todo: "ele gostava tanto disto". Se é verdade... Ela sabe. Todos sabemos. Não poder tê-lo aqui neste dia é das dores mais cruéis que terei que sentir. A sala está vazia, sem si. A mesa está vazia, apenas com as rosas brancas, em sinal do nosso luto, da nossa luta.
Estaria cansado se aqui estivesse, estamos à espera do compasso pascal, estava previsto para mais cedo, mas ninguém lhe põe os olhos. Andaria de um lado para o outro como uma barata tonta. Voltar-me-ia a pedir que o levasse aqui e ali. Que fosse consigo ver se ainda iam demorar. Estaria cansado se estivesse aqui. Você e a sua muleta, a sua perna envelhecida pelo tempo e pela vida.

Esta é uma Páscoa mais vazia. Um dia vivido com menos intensidade e menos alegria. Vejo a tristeza refletida no olhar de todos quantos, tal como eu, desejavam que aqui estivesse. A avó. A minha mãe. Os tios. Os primos. Todos sentimos o mesmo. Todos olhamos para a sala do mesmo modo. Falta ali alguém. O dono da casa. O pai da família. Ninguém gostava mais disto do que você. Lembro-me da alegria com que via chegar aqui a casa os seus amigos, de uma vida inteira, que vinham no segundo compasso para beber a tigela de vinho que nunca dispensou ter neste dia. As mesas postas no terraço. À espera. Quem me dera que ainda fosse assim hoje. Quase três meses após a sua partida.

As saudades não nos cabem no peito. A sua falta não nos cabe na alma. Nunca caberá.
As minhas lágrimas continuam a cair sobre as teclas deste computador. A vida é tão dura.

14 de fevereiro de 2017

# da saudade, avô

"Qualquer dia morrofilho. E depois vamos os dois ter saudades da vida que não partilhámos”, escreveu Inês Pedrosa, num dos seus livros que já me passaram pelas mãos. Quão triste, quão infinitamente triste é ler esta frase, sentir esta frase, agora. Quão inacreditavelmente triste é saber, perceber, o sentido que ela faz e o quão aterrorizante ela é. De todos os males da morte, o pior deles  é que ela nos faz acordar, mas faz-nos acordar demasiado tarde.
Os dias aqui por casa vão sendo duros, avô. Escrevo-lhe inevitavelmente lavada em lágrimas. A minha dor é suportável, não é que me caiba no peito, mas sou eu a senti-la e só eu sei o que fazer com ela. O meu maior refúgio é  não pensar. Não sei se é bom ou mau, mas vai-me adiando a dor, amenizando-a, guardando-a numa das gavetas do coração. É difícil aceitar que já não está connosco, mas mais difícil ainda é ver a avó sofrer, é ver sofrer todos aqueles que me rodeiam. Foi tudo tão rápido, tão inesperado. Se ontem estava sentado naquela cadeira, em frente à lareira, hoje estamos a vê-lo deixar-nos. Desapareceu das nossas vistas, que jeito tão cruel de o fazer.
Passaram pouco mais de duas semanas e todos os dias sentimos a falta que nos faz! Todos os dias acordamos com vontade de o encontrar ali, sentado na cadeia que até então era sua e apenas sua, com as pernas esticadas por força das incapacidades do corpo. Ali, olhando a rua através da janela. Quantas vezes lhe quis puxar o cortinado e não me deixou, porque ver a rua era bem melhor do que olhar para um pano branco. Que parva! Por que é que eu insistia em fechar aquela porcaria? Se isso lhe tivesse dado anos de vida, avô, tê-lo deixado-ia aberto para sempre, todo o sempre. Todos os dias sentimos a sua falta na mesa, às refeições. A avó  ocupou o seu lugar, agora senta-se na sua cadeira. Nem imagina a falta que lhe faz. Todas as noites ela se deita em sinal de sacrifício, porque sabe que perdeu a companhia dela. Nem consigo imaginar o que é dormir todas as noites ao lado de alguém, durante 57 anos e, de repente, essa pessoa desaparece. Todos os dias liga o radio, o rádio que era seu, e reza o terço. Agora sozinha. Pelo menos em corpo.
No outro dia arrumei o seu quarto. Não consegui conter as lágrimas enquanto troquei os lençóis da cama. A sua almofada dura, vazia, ainda marcada pelo suor dos seus últimos dias. O seu lado da cama sem marcas de uso. Vazio também ele. A sua roupa dobrada para ser guardada, arrumada ou dada. Qualquer palavra é demasiado cruel. Qualquer verbo que dê a entender que nos deixou é demasiado doloroso de ouvir ou de ler. Quando abri o armário, vi os seus casacos pendurados. A dor que senti por saber que não mais seriam usados por si, que não voltarei a vê-lo tal como você era. Elegante, sempre foi, as faces da cara detalhadamente definidas. Se havia homem bonito era você, avô. Uma beleza que não se explica, uma beleza que simplesmente desperta a vontade de lhe tocar. Tarde de mais. Sei que está entre nós, não tenho a menor dúvida, mas a sua presença espiritual não substitui a sua voz grossa e severa, que nos deixava em sentido. O seu jeito casmurro e o humor com que sempre viveu a vida. O mundo tem poucas pessoas como você. Nunca deixou que faltasse nada a quem vivia à sua volta, fosse essa pessoa a sua esposa ou o vizinho do lado. Viveu a vida com uma responsabilidade exemplar. Os quase 24 anos que passei ao seu lado, a viver debaixo do seu teto, fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Sei que muitas vezes não fui a melhor pessoa do mundo consigo e também sei que agora é tarde de mais para desculpas ou arrependimentos, mas avô... os dias não são os mesmos sem si. A vida não é a mesma sem si. É mais triste, está mais escura. 

Espero, sobretudo, que consiga ver agora a falta que nos faz. A falta que faz à avó que, mais do que nunca, vive sob um profundo sentimento de solidão. Espero que saiba que o queríamos ter ali na sala, a ocupar os bancos todos da mesa só para conseguir estar confortável.

A saudade, quando advém da morte, é o sentimento mais duro e mais difícil de suportar. Vou limpar as lágrimas, já que não posso limpar a dor nem trazê-lo de volta, e vou dormir. São quase quatro da manhã e aposto que sabe o dia longo que tive. Faltou-me a sua companhia durante a tarde, eu no sofá e você na cadeira. Se pudesse fazê-lo voltar para casa... 
Até já, avô.



26 de setembro de 2016

O que eu dava para voltar no tempo

São quase quatro da manhã. Não consigo dormir, não consigo pensar, não consigo sequer tentar adormecer.
Sinto a tua falta. Só queria que esta falta fosse de distância, como quando foste de Erasmus e eu te escrevi pela primeira vez, sem medos nem vergonhas. Essa distância cura-se, contorna-se, mas esta distância que temos agora não... Não se cura, não se apaga, não se remedeia. Aguenta-se, sobrevive-se...

Fazes-me falta. Não te consigo inventar. Amo-te.

17 de julho de 2016

Acreditar

"Meu amor, não é tarde nem é cedo para quem se quer tanto."

Começo assim. Começo assim por uma simples razão: a esperança ainda mora em mim. Um amor como o nosso não pode acabar, nem acaba. Insiste, persiste, não desiste. Eu sei. Eu sei que não posso corrigir os erros do passado, mas posso mudar o futuro. Posso mudar no futuro. Falas do presente. É ele que importa, de facto. Tal como tu dizes. E o meu presente és tu. O meu presente, o meu passado e o meu futuro. Ainda que não possa ter-te ao meu lado. Tu vives em mim e assim continuará a ser. Enquanto eu existir. 
"Não é tarde nem é cedo para quem se quer tanto!"

14 de julho de 2016

da dor

Eu escolhi-te. E escolhi-te para sempre. Para o resto da minha vida. E foste a escolha certa. Mesmo que não tenha dado certo. Vais viver em mim para sempre. Em mim, no meu corpo, na minha vida. Quantos anos infinitos vou demorar a esquecer o teu toque, o teu beijo? O teu perfume, o cheiro da tua pele? Quantos anos infinitos vou viver contigo cravado, tatuado no meu peito? Quantos 28 de julho vou desejar estar ao teu lado, a festejar, a celebrar o nosso amor? Quantos 1 de dezembro vou desejar repetir aquela noite? E em quantos aniversários meus só me vou lembrar de ti, da falta que me fazes, de quão incrivel seria se estivesses ali cmg, a ver-me crescer? Ainda sou tão pequenina.
Em quantas manhãs de inverno, de outono e de verão vais ser o meu primeiro pensamento ao acordar? Em quantas noites vou chorar a tua falta, a tua ausência? Quantas vezes vou sentir saudades da tua voz, da tua mensagem de boa noite e de bom dia, das tuas gargalhadas? Das tuas piadas parvas. Das nossas apostas em que ganhas sempre, sempre, sempre...
Infelizmente tudo o que te escrevo é em lágrimas. São perguntas sem resposta, sem devolução. Perguntas hipotéticas. Sem retorno.
Quantas noites vou passar sem dormir? Por mim, por ti, por nós. Em quantos sítios vou passar e ver a tua imagem? A tua silhueta perfeita, o teu cheiro, como se ainda estivesses ali comigo e eu pudesse simplesmente dar-te a mão e pudéssemos caminhar juntos, sonhar juntos.
Quantas vezes vou ouvir falar no teu nome e vou ser obrigada a dizer: ele não vem mais; já não está comigo. Mas está em mim. Ha tanto tempo. Desde setembro de 2014. Não está comigo, mas mora no meu coração. Apuderou-se dele. Para sempre.
Quantos luares vou passar a pensar em ti? Quantas noites de lua cheia, de lua nova, de quarto crescente, de quarto minguante? Quantas noites estreladas vou olhar pro céu e ver o teu rosto, a tua face. O teu cabelo sempre aprumado, penteado? A tua barba impecável, linda. Quantas vezes vou olhar-me no espelho e ver uma mulher que te pertence? Quantas vezes vou olhar-me no espelho e ver-te? Ver-te atrás de mim, com as mãos pousadas sobre a minha barriga, a beijar-me a face, a tocar-me as sardas?
Por quanto tempo vou sentir os teus lábios nos meus? Os teus beijos na testa, no pescoço, nas mãos? Quantas vezes vou desejar que voltes, que regresses, que me ames, que me beijes? Quantas vezes vou virar a esquina e desejar que estejas lá, à minha espera, seja o nascer do dia ou o por do sol. Quantas vezes vou chegar a casa é olhar em redor, na esperança de que estejas ali? ...
Em quantos dias dos namorados, sim porque desde que nos conhecemos que sempre nos cruzamos nesse dia, vou lembrar-me de ti? Da sorte que tive em ter-te? Do homem maravilhoso e magnífico que um dia pude chamar de meu. E tu, meu amor, quantas vezes vais lembra-te de mim e vais desejar puder chamar-me tua? Serei tua, sim. Serei tua. Tua para sempre. Podes sempre dizer que sou tua. Porque sou. Sou mesmo. Vais viver em mim. Para sempre.


Se me afastar de ti, se realmente o meu coração me permitir afastar de ti, não duvides, não duvides nunca, que só o fiz porque somos imortais. E vamos voltar sempre um ao outro. Nem que seja noutra vida, noutro sítio. Em Marte ou em Júpiter. Somos imortais e vamos voltar sempre um ao outro.

Quantos anos demorarei a esquecer o teu rosto?

Um beijo.

22 de dezembro de 2015

Já disse que te amo hoje?

Amo-te, meu amor. Já te disse hoje? Amo-te! Amo-te as vezes que forem precisas para o mundo saber que te amo. Digo-o as vezes que forem precisas para TU saberes que te amo. Amo-te como se ama o amor de uma vida, com esse desejo insaciável de ti. Por mais que te tenha, quero-te sempre mais um bocadinho. Um bocadinho talvez nem seja a palavra certa. Quero-te sempre tanto, meu amor. Quero-te como um peixe quer a água. Quero-te como um pássaro quer um ninho. Quero-te assim, como forma de vida e como habitat natural. "A minha casa é o teu coração", não me tires o chão. Já disse que te amo hoje?

26 de outubro de 2015

Quero-te tanto, meu amor. O meu corpo dói de saudades do teu. A minha vida é tua. Sem ti sou nada. A tua ausência é a chuva fria que cai sobre a pele, é uma noite sem estrelas ou um dia sem sol. A tua ausência é a mais dolorosa das dores. É o mais custoso tempo do meu dia. A tua ausência são lágrimas de tristeza.


22 de setembro de 2015

das noites a pensar em ti

Vou escrever-te, meu amor. Já o fiz antes, sem saberes. Fiz-o quando deixaste Portugal e uns dias depois dei pela tua falta e me apercebi dos milhares de quilómetros que nos impediam de tanto. Fizeram-nos bem, sabes?

Já passaram as duas e meia da manhã e tu adormeceste, assim, de repente. Nem imaginas a minha vontade de estar ai, ao teu lado, a ver-te dormir sossegadamente. Acariciar-te o rosto sem nunca perturbar o teu sono, mexer-te no cabelo. Olhar-te, simplesmente. Nem imaginas a minha vontade de deixar que te apoderes desta minha noite de sono, assim como tão facilmente te tens apoderado dos meus sonhos. De todos eles. Vou dormir. Quero-te tanto.