Este blog não se resume a um blog. Já é muito mais que isso, para mim.
24 de novembro de 2011
22 de novembro de 2011
19 de novembro de 2011
16 de novembro de 2011
A Cor dos Anjos#6
"Caminhando pela manhã deserta, passei pelo hospital onde dantes fazia voluntariado e entrei para dar sangue. No dia de Natal há sempre mais feridos do que dadores, é uma coisa que não ocorre às pessoas. Fui ficando por lá, na sala de espera das urgências, consolando crianças feridas, algumas delas doentes e abandonadas. Passei o dia a inventar histórias de monstros afáveis em planetas distantes e consegui esquecer-me das horas. Desde que tu desapareceste, o tempo tornou-se pesado, cada hora repete a tua vida inteira e o desespero da tua ausência. Percebi que me conduziras os passos até este hospital para me ofereceres outra vez a possibilidade do riso.
Anjo lilás. Obrigado pelo teu presente de Natal. Sempre tiveste um talento especial para me surpreenderes. Deves moer o juízo ao velhote das barbas, ai em cima. Eu sei que não acreditava nele, nunca acreditei. Nem quando tu desapareceste no inferno das torres - a partir dessa data passei a odiá-lo. Claro que só se odeia aquilo em que se acredita, nisso tens razão, querida. O teu riso com guizos de renas, natal em todas as estações. Mas o pior é que quando muita gente acredita em alguma coisa, essa coisa passa a existir mesmo. Para mim o Grande Manipulador de Marionetas nunca existiu, mas já reparaste quantas guerras existem no mundo, desde sempre, por causa Dele? O teu riso com dedos de sol, a dizer-me que Ele é igual a mim, ao que imaginámos de nós. Tantas crianças sem ninguém, pelo mundo fora, sussurras-me tu. Nenhuma dela serias tu, digo-te eu, e o teu riso aquece-me, faz troça de mim. Preciso tanto que faças troça de mim. Talvez um dia encontre esse teu riso trocista, vais emprestá-lo a um rosto inesperado, provavelmente de uma cor diferente do teu. Tanto que tu gostavas de cores diferentes, da radiosa diferença de qualquer cor. O teu riso, agora em arco-íris, ilumina essa criança que ainda não conheço, que não sei se algum dia quererei conhecer. Talvez o riso seja mais contagioso que a dor. Talvez. Mas, por agora, dou as mãos à memória da tua voz para regressar a casa, dançando do passeio para o asfalto as canções de Nova Iorque que tu cantavas por cima da minha voz, quando eu te ralhava. Por agora, danço entre os arranhas-céus até que eles se diluam, danço como se tu pudesses renascer da água dos meus olhos, inundada de luz."
A Cor dos Anjos, Inês Pedrosa
Este é o fim da história que tenho andado a partilhar convosco. Se não leram as outras partes, leiam pelo menos esta que tem o seu 'quê' de emocionante e amoroso!
Uma boa noite, caros leitores!
13 de novembro de 2011
Q e P
Preciso desabafar.
Vocês tomaram conta do meu coração e da minha vida. E agora acontece-nos isto.
Não vos sei explicar o que sinto neste momento. Mas que me apetece muito chorar, apetece. Apetece-me chorar agarrada a vocês como se não houvesse amanhã. Como se o mundo acabasse amanhã. E eu morreria feliz convosco.
Não tenho palavras. Só lágrimas e uma dor qualquer que não é tristeza, é bem pior.
12 de novembro de 2011
11 de novembro de 2011
10 de novembro de 2011
A Cor dos Anjos#5
"Só a tua mãe não me perdoou: "Não te perdoou que não tivesses sabido tomar conta da minha filha". Mas este desabafo não me magoou nem me comoveu. Ela largou-te com quatro anos, bolas. Podia ter-lhe dito... tanta coisa que lhe podia ter dito. Mas calei-me, por uma questão de justiça elementar. Se ela não nos tivesse abandonado, nós não teríamos vindo para Nova Iorque. E tu repetiste-me muitas vezes que eu era o melhor pai e a melhor mãe do mundo. Além disso, amavas Nova Iorque - mesmo, ou sobretudo, quando te zangavas, com ela. Amavas esta cidade como se ama uma só vez uma pessoa, até ao extremo de todos os sentimentos. Talvez nunca tenhas chegado a amar ninguém assim.
Namoradas, dizem eles. Às novinhas, dá-me vontade de lhes chamar meu anjo, como te chamava a ti. Quanto às da minha idade, radiografo ao primeiro olhar o pendor controlador e acusador. À segunda noite já estariam a competir com o meu amor desaparecido. A baralhar tudo. A contar todas as histórias de mortes na família, até à quinta geração. Jesus. A quantidade de gente que me veio contar desgraças de filhos, sobrinhos e afilhados mortos em acidentes horríveis. Ou então entrevadinhos - para que eu entendesse a sorte que tenho, percebes?
Este Natal, decretaram oficialmente terminada a época do luto. Queriam levar-me de consoada em consoada, cantando e ressuscitando até ao Ano Novo. Mandei-os bugiar. No dia de Natal levantei-me cedo e decidi ir ver os anjos nas ruas de Nova Iorque. A manhã estava muito fria, uma dessas manhãs em que nascem nuvens azuis da nossa respiração. Sempre imaginei que os anjos gostavam de nuvens e frio, pelo menos era o que tu me dizias, quando passeávamos, de mão dada, até à pista de gelo do Prospect Park. Gostavas muito de patinar no gelo. Mas não havia agora anjos à vista - só meia dúzia de raparigas de gorro, com ar apressado, carregados de sacos de embrulhos, nenhum ser alado com o cabelo roxo e uma colecção de piercings a brilhar."
Continua...
A Cor dos Anjos, de Inês Pedrosa
Latada de CC, UTAD
8 de Novembro de 2011:
Latada de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
7º lugar
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