13 de setembro de 2011

A Cor dos Anjos#4

"Devia ter sido eu a morrer naquele dia, sozinho. Telefonava-te e dizia-te que te continuaria a amar e a acarinhar até ao fim da vida, e que só me zangava contigo se tu decidisses não ser feliz. Há noites em que consigo sonhar que estávamos lá os dois, mas conseguíamos saltar sobre as chamas e correr pelas escadas de serviço antes do desabar das torres. E continuamos a correr durante horas, de mãos dadas, pela escuridão, e depois o céu volta a ser azul e nós ficamos deitados na relva, abraçados, a chorar e a rir. Depois percebo que estou só a sonhar e começo a esforçar-me por prolongar o sonho, esticá-lo até ao sono derradeiro.
Obrigaram-me a mudar de casa. Levaram a tua roupa e escrivaninha, e o caixote dos CDs. Quiseram fechar o resto num cofre, longe da minha vista - cadernos, cartas, livros sublinhados, bonecas, jóias. E aconselharam-me a não ver tantas vezes os vídeos, e as fotografias. Mas eu não quero esquecer-me de ti. Nos primeiros meses tinha medo de que o esquecimento me anestesiasse, mesmo sem eu querer. Agora já percebi que, pelo contrário, o teu riso se torna cada vez mais real, à medida que o tempo passa. E a tua voz, cantarolando. Até o teu cheiro. Sei tudo o que tu me responderias em cada situação - porque agora respondes-me sempre, já não fazes só «hum-hum» com os headphones na cabeça. Mas continuo a acordar a meio da noite com a tua voz, aterrada, no gravador de mensagens do meu cell phone (que estava desligado, claro). Dizias que havia um fogo horrível uns andares abaixo, perguntavas-me onde estava: «Pai, pai, onde é que tu estás?». Nunca percebi se terias chegado a perceber que ias morrer. Se primeiro desmaiaste com o fumo e não deste por nada, ou se. Toda a gente ma garante que tu não deste por nada, claro. Esta unanimidade parace-me muito suspeita. Quero perdoar-me à força porque não se pode viver com um imperdoável."

Continua...

A cor dos Anjos, de Inês Pedrosa

mantém-te original

12 de setembro de 2011

Vinte anos, duas pessoas. Um dia.


Uma história de amor absolutamente maravilhosa, duas personagens apaixonantes e um final inacreditavelmente triste.
Em & Dex. Dex & Em. 

9 de setembro de 2011

acampamento GJSN 2011

Estou de volta, blogosfera! Após mais uma grande e memorável semana da minha vida, estou de volta à vida normal e a vontade de voltar a fazer tudo de novo já por cá anda. Ia mais uma, duas, três ou quatro vezes. Ia mais um mês ou mais um ano! E ia sem olhar para trás. Foi bom demais para não querer voltar. Foi bom de mais para estar indiferente! Sem dúvida que valeu a pena e que para o ano é para repetir!
Ri-me como nunca! Enfim...

Obrigada, Grupo de Jovens Sol Nascente

4 de setembro de 2011

Caros leitores,

Neste momento consigo afirmar que sou uma pessoa feliz. Sempre fui, no fundo, mas agora sou-o inteiramente. O tempo passa e as coisas têm de mudar, dê por onde der. Há fases e boas e fases menos boas, não digo más porque, se pensar bem nas coisas, nunca passei por elas. As pessoas entram e saem das nossas vidas. Mas também há as que entram e não saem. Às que saem, não tenho nada a dizer. Ou talvez tenha, mas não será nada que as deixe felizes. Às que não saem, tenho palavras infinitas de gratidão e amor.
Estou feliz com os que eu sei que não vão sair. Sou feliz com eles. Tenho tudo o que sempre quis e a faculdade está ai à porta. E onde quer que eu fique colocada, quem vai comigo e quem estará comigo serão os mesmos que estiveram até agora!
A vida é assim. O que nós fazemos dela.
Bom, tenho a dizer-vos que vou acampar de hoje a quinta-feira. Portanto, estarei totalmente ausente! Mas volto, obviamente! Seria incapaz de vos deixar!

Já agora, dedico a minha felicidade a todos os que algum dia achavam que me poderiam fazer infeliz. Tenho a certeza que haverá por aqui gente que vai enfiar a carapuça!
É tudo. Beijinhos e bom proveito!

24 de agosto de 2011

factos#4


Estou a perder-te aos poucos, meu amor. E tu fazes tanta falta à cor dos meus dias.

22 de agosto de 2011

Madrid 2011

Bem, há duas semanas fiz uma interrupção nas minhas férias na Póvoa de Varzim para fazer uma visitinha a Madrid. Mais concretamente, no dia 8 de Agosto. Só tive oportunidade de vos mostrar as fotos agora e, portanto, vou fazê-lo. Apesar de ainda me faltarem algumas que, mais tarde, também as poderei postar.

Aqui está o estádio Santiago Bernabeu, que eu achei horrível por fora! Parece o interior de uma barragem ou coisa do género! Não há nada como o estádio do Dragão, não é? xb


Esta foto nem merece comentários, obviamente! xD


Achei o topo deste edifício simplesmente magnifico!


E pronto. Faltam as fotos do hotel RITZ onde reservei uma suite mas, azar do caraças, não desencantei nenhum madrileno que estivesse interessado em partilhar a suite comigo. Ainda liguei ao Gerard Piqué mas ele teve jogo no dia anterior e estava muito cansado. Disse-me que teria de ficar para uma próxima oportunidade!
AHAHAHAHAHAHAH

21 de agosto de 2011

A Cor dos Anjos#3

"Às vezes estou no café e levanto-me de repente, ergo a mão para te acenar quando tu entras. Então a rapariga verdadeira, que não és tu, franze o sobrolho, com um ar desconfiado, e eu vejo que aquele rosto não é o teu - embora, querida filha, tu fosses muito desconfiada. Muito crédula e muito desconfiada. Nunca chegaste a ter idade para o pacato meio termo. Desvio o olhar para o vazio, atrás da rapariga que já não és tu, e continuo a acenar, até que ela perceba que não estava a tentar meter conversa. Nos primeiros meses, quando eu corria para os braços dessas múltiplas mistificações de ti, elas acarinhavam-me: "Não, não sou eu, desculpe". Sorriam-me, tinham pena. Digam lá o que disserem, a pena é uma coisa boa. Tenho pena de ti, amor lindo, uma pena infelizmente muito intermitente, quase sempre mais pequena do que a raiva que tenho de mim mesmo. E a pena dos outros foi um grande conforto. Apaparicaram-me, levaram-me ao colo para a cadeira do psiquiatra. Até me arranjaram emprego. Evitaram cuidadosamente qualquer referência a filhos, em particular meninas. Agora já ninguém tem pena. Dizem-me que tenho que reagir, que a vida continua, que já lá vai um ano. Acham que estou a reagir bem, porque tomo todos os comprimidos que o shrink me impinge e trabalho que nem um louco, fins de semana incluídos. E engordei, o que é sempre um grande alivio para os amigos. Engordei porque carrego na dose de cerveja, e deixei de ter paciência para cozinhar. O rolo de carne que tu adoravas, os grelhados aromáticos que eu fazia quando tu não querias comer para não engordares., para que me serviriam agora? Vivo de fatias de pizza. Como já não ando a farejar namoros, nunca mais tive de fazer de conta que gosto de sushi. Nem tenho de me preocupar em olear os músculos no gym. A boa notícia é que já ninguém está preocupado comigo. A má notícia é exactamente a mesma. Caso eu tente falar de ti, um minuto que seja, cortam-me o pio. Dizem que já devia ter "feito o luto". Aparentemente, há um tempo certo para isso, e eu estava a pisar o risco. A tornar-me inconveniente. A ponto de chumbar, na opinião dos meus amigos. Depois de todo o apoio e carinho que me deram. Que ingrato, realmente. Todos acham que eu preciso de uma mulher. Há vinte e dois anos que vivo em Nova Iorque, e agora repararam que uma mulher faz sempre falta. Dantes, os homens invejavam-me os namoros ("não te cases, rapaz, não sejas parco") e as mulheres deles achavam que eu fazia bem em não te impor uma madrasta. Passavam a vida a gabar a minha relação excepcional contigo. Agora, pequenina, é como se tu nunca tivesses existido."

Continua...

A Cor dos Anjos, de Inês Pedrosa

12 de agosto de 2011

A Cor dos Anjos#2

"«Oh pá, da maneira que está o mundo... pelo menos a miúda não sofreu». Cães. Antes ladrassem. Antes me esquecessem, os que me querem consolar assim. Coitados. O que é que eu diria a um tipo que perdeu a filha? - e por sua culpa?
Porque fui eu o culpado, sim. Há um ano que o shrink anda a tentar convencer-me que não, mas por mais mortais encarpados que faça ao Froid, eu sei que tenho culpa. Pelo menos de não ter morrido contigo. Sim, ao menos que tivessemos morrido nos braços um do outro, ao menos que eu tivesse podido beijar-te, sussurrar-te que tudo aquilo era apenas um pesadelo, que daqui a pouco acordarias e tudo estaria bem, como quando tinhas seis anos e bastava contar-te uma história de palavras mágicas. Tu estavas a passar uns dias na casa de uma amiga, doruntown, e lembraste-te de ir matar saudades do pai. Matar saudades, caraças. E o esperto do pai tinha decidido ficar mais um bocado na cama com uma namorada, para aproveitar bem a alforria temporária. Sofrias tanto, por causa dos namorados. Mas eu sabia limpar-te as lágrimas. Levava-te ao colo até ao espelho, fazia-te rir, no fim já acreditavas que o azar era deles.
E quer o shrink que eu volte a namorar. Fácil de dizer. Encontro-te, dia após dia, hora a hora, em cada rapariga. Vou pela rua e vejo-te, todas as adolescentes de cabelo laranja ou lilás (mudavas muito de cabelo) se parecem contigo. O que é estranho, porque tu eras incomparável. A princípio gritava o teu nome. Cheguei a correr atrás delas, e agarrá-las. Agora continuo a ver-te, mas calo-me. Já sei que não podes ser tu - convenço-me de que não podes ser. Fui ao kinko's fotocopiar trezentos flyers com a tua cara, recortada de uma fotografia de férias, com os meus telefones por baixo, em números grandes. Passei dias a colar essas fotocópias pelas paredes da cidade. Nova Iorque estava coberta de fotocópias de sorrisos desaparecidos, com números de telefone garrafias. Durante semanas, que eu estiquei até ao Inverno, havia aquela esperança que tu estivesses em qualquer lado, que tivesses conseguido fugir de alguma maneira, por alguma escada esquecida."
Continua...

A Cor dos Anjos, de Inês Pedrosa

9 de agosto de 2011

A Cor dos Anjos#1

"No ano passado toda a gente teve a delicadeza de não me falar do Natal. O Frank e a Martha arrastaram-me para casa dos pais deles no Connecticut, e nem um cheiro a azezinho havia no ar. Ninguém falou em estrelas, pinheiros ou iluminações, não houve presentes, nem esses christmas carols que tu andavas sempre a cantarolar. Meu anjo. A televisão esteve sempre ligada num canal culinário. Evitaram cuidadosamente tudo o que tivesse um qualquer laivo de juventude, music videos, desportos radicais. Nos canais normais eles tinham medo que aparecesse, pela milionésima centésima vez, a imagem do avião a entrar pelas torres, entrevistas com as famílias dos sobreviventes, ou aqueles infindáveis debates em que tu me morres outra vez, submersa no horror abstracto dos números. E depois há sempre alguém, do outro lado da mesa dos debates, que interrompe para perguntar: "E quantas morreram no Chile, a 11 de Setembro de 1933? E na Palestina ocupada? E em Hiroxima? E em...". E nessa altura tua morte já nem é nada, tu nunca foste ninguém - só a filha felizarda de um emigrante português cheio de sorte. Uma jovem felizarda que numa bela manhã de Setembro teve o azar de entrar no sitio errado à hora errada."

Continua...

A Cor dos Anjos, de Inês Pedrosa