Quando nos conhecemos sempre pensei que seriamos, para sempre, iluminados por todas as estrelas presentes no céu naquela noite. Noite essa que, para mim, foi a mais estrelada de sempre. Percebi que me enganei mas nunca cheguei a perceber se a culpa foi minha ou tua ou das estrelas. É verdade que poucas foram as estrelas que por nós passaram desde aquela noite. No entanto, existiram tempos em que eu sei que, mesmo que estivéssemos em lados do mundo opostos, ambos víamos as mesmas estrelas e pedíamos os mesmos desejos.
As estrelas continuam a existir, estão lá, no seu eterno abrigo, mas já não as vemos da mesma forma, já não pedimos os mesmos desejos nem pensamos nas mesmas coisas. Já nem é correcto eu pronunciar todos estes verbos como se ainda existe um nós coerente. Agora sei que vês as estrelas com outra cor, que pensas em outra pessoa e que todas essas estrelas representam para ti um «todo», o teu «todo».
Perdemos as estrelas do nosso, sim, nosso, alcance demasiado cedo, mas, no entanto, conseguimos vê-las juntos. Vimos-as nascer, crescer e desaparecer. Vimos-as sorrir e chorar. E eu, vi uma delas fugir-me por entre as mãos que nunca a possuíram. Vi-a afastar-se. Vi-a fazer-me sentir culpada de tudo.
Mas hoje, parto para outra sabendo que, eternamente, serás uma estrela brilhante no meu céu. Apesar de tudo, eu ainda tenho a capacidade de te saber dos encantos e, só por isso, já devias estar orgulhoso de ti próprio. E de mim.
E, assim, me afasto de tudo o que um dia nos juntou. De todas as estrelas que observamos. Na pura das certezas de que te levo comigo e de que foste o grande amor da minha vida, durante o tempo em que como tal de vi.