20 de junho de 2012


Abro a porta e sento-me. O motor liga-se. Reparo que foi o meu pai. Tudo o que me rodeia passa pelos meus olhos a 60 km/h. Percebo que me sinto perdida. Parece que jamais foi conhecedora desta terra. Desta terra seca onde dei tudo e perdi tudo. Onde algures tive um dia o coração e a alma e toda a minha dedicação.
Perdi a certeza de que foi esta a terra que me viu crescer. Perdi de vista o horizonte. Se ao menos ainda o conseguisse ver. Saberia, certamente, onde deixei os meus passos. As minhas marcas do passado. Saberia onde deixei fugir a minha infância. Esse tempo em que apenas me recordo de ter sido feliz. Pergunto-me se isso terá sido aqui, nesta terra que todos os dias morre mais um bocadinho. Aqui ou ali. Seca. Já deixou de dar frutos. E vai murchando, aos poucos. Muito lentamente. Como um caracol que caminha para um abismo. E sinto tudo isto. No meu coração, parece-me. Pela dor. Porque o que sinto é que esta não é mais a minha casa. Não é mais a minha terra.

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