31 de outubro de 2011

regresso

Escrevi-te quando partiste e sinto-me tentada a escrever-te agora que finalmente voltaste. Até por motivos que tu, se lesses isto, compreenderias logo. O teu regresso não poderia ser motivado por um facto pior. É claro que todos gostamos do teu regresso, mas deste modo não. Nunca! Tomara que só viesses na data prevista.
Mas adiante. Basta olhar para ti para ver que, mais do que nunca, queres chorar. E não o fazes por vergonha. Por causa de todos nós e, sobretudo, do teu filho. Mas devias chorar! Esquece a vergonha e afasta-te um pouco do teu filho. Chora! Berra, grita, dá pontapés nas coisas! Mas, por favor, alivia-te. Já todos percebemos que estás 'entalado'. Foi tudo muito de repente e não contavas que acontecesse assim. Mas a vida é assim, surpreende-nos muito pela negativa. E agora não há nada que eu possa fazer, que tu possas fazer, que nós possamos fazer. Se pudéssemos, fazíamos. Não duvides. A tua expressão mete dó. Nunca te vi tão triste. Custa-me olhar para ti, a sério.
Mas eu compreendo-te. Eu também não saberia o que fazer se estivesse no teu lugar.
Sossega, por agora. Recorda as palavras dele e sorri em segredo. Sente o amor dele mesmo já estando no céu. Ele estará em ti para sempre. Amar-te-à para sempre. Será o teu anjo na terra e o teu anjo no céu. Mesmo tendo o seu corpo ausente, a sua grande alma pairará sempre aqui. A teu lado.

Tenho medo que não voltes a ser o mesmo. Todos nós precisamos da tua alegria, do teu sorriso e da tua sabedoria.
Sê forte. Pelo teu filho. E por mim, se achares que mereço. 

2 comentários:

Ás de Copas disse...

Até fiquei emocionada ao ler isto, muita força

Déjà Vu disse...

Muito bom mesmo!
Embora pareça cliche o que vou dizer!
Nunca somos o mesmo!