10 de janeiro de 2011

adiar



Sabes, sempre me disseram que nada dura para sempre e hoje eu acredito nisso mais do que em qualquer outra filosofia de vida ou frase emblemática. Acredito nisso como quem acredita em algo que reconhece ser totalmente inevitável... Algo que por mais que tentemos, nunca conseguiremos mudar, apenas poderemos adiar. Adiar por mais uma hora, mais um dia, uma semana, um mês, um ano, vários anos... E é isso que tenho andado a fazer. Ou pelo menos a tentar fazer. Adiar. Adiar o sofrimento. Adiar perceber que te perdi, que te deixei escorregar entre os dedos como areia fina. Adiar perceber que me cruzei contigo no caminho e que acabei por escorregar, como se o teu chão tivesse manteiga e como se tu, por mais vontade que tivesses, não conseguisses ter força suficiente para me segurar. Mas o pior nem foi ter caído. O pior foi ter-me magoado. Ter caído de cabeça e agora andar de pernas para o ar, a viver a vida (quase) ao contrário... Sem saber como deixar de seguir os teus passos. Sem saber como poderei libertar-me de todas as nossas recordações. Sem saber como poderei esquecer as palavras, os gestos, os olhares. Sem saber como será possível conseguir desfazer todas as promessas que fizemos um ao outro. Sem saber como conseguirei olhar-te nos olhos sem ter vontade de te culpar por tudo e, simultâneamente, provar-te os lábios claros. Sem saber quando conseguirei ver a tua imagem limpa, sem nódoas ou culpas, sem remorsos ou arrependimentos. (...)
Acredites ou não, eu quero olhar-te nos olhos e conseguir sorrir-te da forma mais sincera que alguma vez sorri. Quero poder ver-te sem me sentir presa pelo passado. Quero limpar a tua imagem da minha cabeça e do meu coração. Quero excluir a hipótese da tua personalidade cruel, uma personalidade que eu acredito que nunca tiveste nem terás. Quero voltar a ver-te como no primeiro dia, conhecer-te apenas com a impressão do primeiro dia, sentir-te vivo e igual a ti, o teu 'eu' que sempre amei e ainda amo.
Mas por enquanto, vou vivendo sem saber quando chegará, finalmente, o dia em que conseguirei tirar-te da gaveta do amor.
E vou adiando... Adiando o sofrimento e tentando esconder-te cá dentro, pelo menos, nos momentos em que mais me fará sofrer a tua presença.


- "Assim vou vivendo sem ti e sem procurar saber de ti.
 Mas sei de mim, sei do imenso vazio da tua falta, que nada preenche nem faz esquecer",
como se toda a minha vida fossem as tuas marcas, tudo aquilo que tu deixaste comigo e não devias. Como se eu vivesse ao som dos teus passos na minha direcção e ao som da melodia das poucas palavras que me dizes.
amo-te

8 comentários:

Pois, eu disse...

Adiamos muitas coisas na vida, e de um momento para o outro somos "atingidos" com tudo ao mesmo tempo.

Danii disse...

Adoro, adoro, adoro!

juca ♥ disse...

gostei ♥

lá love disse...

que lindo **

Cátia Mourisca disse...

ESTÁ LINDOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Queu disse...

Já te disse para parares de adiar essa merda xb

ivone silva. disse...

que lindo mesmo!

Mariana disse...

Para mim, dos melhores textos que escreste. Sem a mínima das dúvidas: está fantástico!

Existem partes simplismente maravilhosas