8 de janeiro de 2011

11 minutos



"Sei que estou a casar-te com todos estes problemas, mas agora que me abandonaste vivo da lembrança de ti. Reconheço que estas recordações são um monólogo sem sentido, não me escutas, jamais me responderás. Deixa-me, no entanto, viver na esperança de poder continuar a amar-te, na ilusão de que um dia ouvirás ou lerás o que escrevi. Por agora, é como se me desses um pequeno ribeiro e eu quisesse o mar, como se pretendesse todas as flores do mundo e me entregasses um pedaço de erva. Sabes que me corto porque não aguento a dor de não te ter, prefiro ver a ferida e controlar o sangue, embora isso pareça louco, a verdadeira loucura é a da dor que não se vê. Onde posso atingir a fala que, no fundo, o meu interior aspira? Em qual das ilhas do mundo te reencontro? Quando iremos dar vida a uma montanha desolada e fria? Quando partilharemos de novo o instante entre dois ruídos? Escuta-me um pouco mais."

Paulo Coelho

4 comentários:

Mariana disse...

Este excerto é fantástico. Pões sempre aqui coisa fantásticas:)

Beijinhos

● mariliaqueiroz ● disse...

gosto muito *

RuteRita disse...

Adoro

jorgedalte disse...

Um post triste onde as interrogações te fazem pensar mais um pouco naquilo quec queremos e muitas vezes não podemos alcançar, tantas vezes por culpa própria mas muitas mais por alguém não nos entender, escutar e amar.

beijinhos