6 de outubro de 2010

11# Carta para uma pessoa falecida com a qual gostavas de falar.

Como não poderia deixar de ser,

Querida avó,
Sabe, nunca me passaria pela cabeça escrever esta carta sem ser para si! Preferia nem a escrever!
Tenho pena que tenha partido tão cedo. Tenho pena de não a ter conhecido. E também tenho pena que não me tenha conhecido e que não tivesse tempo de se orgulhar de mim, a neta que mais herdou os seus genes. Pelo menos é o que dizem. Dizem que sou a sua cara chapada. Se é verdade ou não, não sei. Só sei que me orgulho e me babo cada vez que me dizem isso. No fundo acho que sou uma neta mais-que-babada, mesmo não a tendo conhecido ainda em vida.
Ainda hoje não sou capaz de compreender como partiu tão cedo. O homem da sua vida ainda cá está, felizmente. Eu sei que ele a amará eternamente, isso reflecte-se nas atitudes dele. Sei que ele não gosta de ir ao cemitério nem à missa desde que partiu. Talvez ele pense que assim não sentirá tanta dor. Ele lá tem a sua maneira de fazer o seu luto, e todos nós respeitámos isso. Mas não compreendo, juro que não. Podia atrever-me a perguntar, mas sei que isso, mesmo após tantos anos, ainda causa dor àqueles que deixou cá como seguidores da sua história e prova da sua existência. A maior parte deles eram ainda novos quando a perderam, e isso marcou-os eternamente. Sei disso porque tenho um cá em casa e, mesmo sendo homem, sei  que ele ainda se comove cada vez que se fala em si.
E sabe, sinto-me orgulhosa de si. Tal como se sentem todos os que ainda têm bocadinhos do seu sangue! E tal como você se devia sentir também. Orgulho-me de si por me ter deixado 11 maravilhosos seres, que já, não todos, deram origem à sua própria família. E, no fundo, são eles o meu maior motivo de felicidade. São eles que me fazem sorrir, maioritariamente.
E se sou tão parecida consigo fisicamente como dizem, espero também ser como pessoa. E eu acho que sou, sinceramente. Já tirei as minhas próprias conclusões e concluí que sou igualzinha ao meu pai (ok, tirando aquele amor que ele tem pela matemática). E se saio ao meu pai como pessoa, também tenho as suas marcas.
Às vezes acho que a vida é demasiado cruel para ser verdade. Separá-la dos seus filhos, do seu marido, de toda a sua família, tão cedo, foi sem duvida uma crueldade. Ninguém merecia. Nem eles, nem vocês e, arrisco-me a dizer, nem eu e todos os seus netos. E falo neles porque sei que eles pensam como eu, sei que eles têm a mesma angústia que eu.
Só lhe peço, olhe por si, olhe mim, olhe por eles. Por todos eles. Pessoas como eles não se encontram em qualquer lado, nem há aos pontapés. Uma família como a sua merece estima, felicidade, amor e muito carinho. Sei que posso contar consigo para isto, graças a Deus.
Obrigada por cuidar de nós.
Terei eternamente um pedaço de mim que, apesar de irreconhecível, sei que o herdei de si.
Um dia, sei que nós encontraremos lá em cima, apesar de nos termos desencontrado cá em baixo.
Ah! Só o facto de ter o seu nome, para mim já é uma alegria.

Eternamente, mulher que deu a razão de viver; eternamente, mulher corajosa; eternamente, mulher de armas; eternamente, avó.

7 comentários:

Isa Soraia disse...

Tão Lindo (:

Pois, eu disse...

Tão sentido ;)

Isa Soraia disse...

Ainda bem que gostaste querida (:*

Vanessa disse...

Está Linda *

Ana M. disse...

ahah , deve ir deve !
adorei , super lindo o texto !

CatarinaFerreira* disse...

Que lindo amor *-*
Eu sei , eu sei amor (;
Eu confio muito em ti ;b
AMOOOOOOOOOOOOOOOOO-TE <3

Andrea Soares disse...

*-*